03/09/2013

Esses programas são só para maiores. De 60 anos

Estadáo
Esses programas são só para maiores. De 60 anos

Três anos depois, o Ministério do Turismo vai ressuscitar o programa Viaja Mais Melhor Idade. Reformulado, o projeto volta a integrar a vitrine da pasta e será lançado amanhã durante a Feira das Américas, o maior evento do setor no Brasil, organizada pela Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav). "Queremos aproveitar o aquecimento do mercado interno brasileiro, impulsionado também pela alta do dólar, e fazê-los viajar pelo País", diz o ministro Gastão Vieira.

A primeira versão do programa durou de 2007 a 2010 e, de acordo com dados oficiais, resultou em 599 mil pacotes vendidos. "Teve muito sucesso, mas foram identificados problemas", diz Vieira, que tomou posse em setembro de 2011. "Vamos dar mais credibilidade e flexibilidade ao programa."

Há basicamente duas novidades garantidas no modelo atual. Antes, o programa oferecia apenas pacotes completos e, agora, as empresas parceiras poderão também vender os produtos separadamente, como passagens aéreas, hospedagens e outros serviços. Além disso, quem tem mais de 60 anos poderá obter financiamento de até 48 meses por meio do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.

O mercado é promissor. Dados do IBGE de 2011 mostram que no Brasil há 23,5 milhões de idosos, 12% da população. Vieira assegura que as ofertas não estarão necessariamente ligadas à baixa temporada. "Nada impedirá agências e operadoras de lançarem ofertas também na alta. Só depende delas", diz, otimista.

 

O portal viajamais.gov.br vai reunir as ofertas e funcionar como vitrine. Os programas serão fechados diretamente com as empresas. "A ideia é divulgar essas informações e fazê-las chegar ao maior número possível de pessoas", afirma Vieira. "Esperamos cadastrar mais de 200 opções num primeiro momento."

Além de prometer ampla divulgação do Melhor Idade, o ministro acena com novos projetos do gênero. "Vêm aí o Viaja Mais Trabalhador e o Viaja Mais Jovem", antecipa, sem dar detalhes.

PELOS ARES

Independentemente dos programas oficiais, a turma da "melhor idade" já não está mais disposta a gastar seu tempo livre à base de tricô e TV. Vide o exemplo de João Luíz de Lima. Aos 88 anos, descobriu um outro mundo, como diz: saltou de paraquedas. "É mais que voar como um pássaro, é como estar em outra dimensão", conta o taxista aposentado, que arranja energia para nadar 800 metros três vezes por semana.

O salto, realizado em Boituva, foi um presente das netas. "Eu trabalhava 14 horas por dia, não tinha tempo de fazer essas coisas gostosas." Foi após a aposentadoria que ele começou a viajar e a realizar aventuras mais radicais. Mas só mediante autorização da geriatra - e a saúde de menino tem permitido a ele desafiar bastante o coração.

Foi apenas quando ficou viúva que a professora aposentada Jurema Waack Loureiro Costa pôs uma mochila nas costas e se entregou às viagens que sempre quis fazer. Isso faz quase 20 anos e, desde então, uma vez por ano ela se une ao grupo do Velhinho é a Mãe, da operadora Venturas (leia mais ao lado).

Fez safári (inclusive noturno) na África do Sul, trekking na Índia, escalada na Chapada Diamantina, rafting em Bonito (MS), andou de balão na Turquia, encarou o Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, e enfrentou a rústica Patagônia. Quantos anos ela tem?

"Efetivamente 18, mas invertido", responde, com bom humor. Não há o que um jovem faça que o idoso não possa fazer, é seu lema. "Isso tudo rejuvenesce a gente", garante Jurema, que pretende lançar um livro de contos e um disco. "Parar para quê?" 

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